O que falar?

Você já passou por uma situação onde tudo parece irrelevante? Quando qualquer palavra parece supérflua frente a algum fato tão relevante? Um fato que nos toma por inteiro. Pra bom e pra ruim, há assuntos que assumem tal dimensão que recebem toda a iluminação para si. O foco da luz então ofusca o resto, deixa tudo escuro.

Até pode-se querer olhar para o resto do mundo, mas parece haver apenas uma coisa para se olhar, uma coisa para lembrar. É tão relevante, mas também tão doloroso.
Juro que tento, afinal não posso ser mais realista que o rei. Eu não deveria estão tão afetado, tão sentido. Muitos dirão: "essa dor não é tua". Frente a uma rotina perdida pergunto: "Como não?!".

Se sinto, não seria ela minha? independente da origem, não estaria ela tão ligada a mim quanto eu estaria ligada a ela? Existe ponderação no sofrer? devemos lapidar nosso emocional para julgar quando podemos e quando não podemos sofrer? Aprendi com a vida que não.

Queria pelo menos disfarçar, fingir que estou entendendo a mensagem e agindo como deveria. Infelizmente até o luto indireto é luto, não pode-se disfarçar, tem que sentir de verdade.

No fim das contas só estou aceitando que não preciso agir sempre com a razão.

De onde vem a sua dor?


Alguns conseguem dizer
outros não.

Acho que a minha eu sei de onde vem. Não é do quadril, da coluna, da cabeça, mas acho que sei de onde vem.

A dor é um sentimento contagiante, então existe a possibilidade de tê-la pego em uma conversa qualquer.

Analisando conversas que tive, não encontrei indícios suficientes. não peguei pelo contato verbal.

Outra possibilidade é tê-la pego devido a uma exposição prolongada ao relento do sentimento alheio. Mas descarto, esta dor que estou sentido não é como uma dor empática. Descarto por não se adequar a dores desse gênero.


A possibilidade que era mais provável era de tê-la contraído por fatores psicossomáticos. Com a ajuda de um psicológico que se mantém aberto para certo tipo de fragilidade, poderia ter sido essa abertura que desestabilizou todo o psicológico. Com uma desestabilização geral, o corpo começa a produzir reações. Como se fosse para agirmos frente a uma ameaça. Me parecia uma possibilidade bem plausível. Feliz ou infelizmente não é uma ameaça.

A dor vem de outra vida.

Eu a sinto por uma conexão que não é mental

A única solução seria cortar essa conexão, já que da outra vida esta dor jamais sairá.

Agora, só resta senti-la, talvez doa menos um dia.

Ligação de madrugada

Um dia que não é como os outros dias

Um dia que não tava no cronograma, não foi considerado em nenhum momento

talvez seja o dia mais certo, o que com a maior certeza viveremos, mas mesmo assim jamais poderíamos prevê-lo... Não com a verdadeira dimensão.

quando esse dia vem
é pra ser pesado, mais do que qualquer outro peso que já tentamos carregar.
Mágoas, tristezas e alegrias assumem seu papel de passado...

A partir desse dia
só vazio, saudade e uma das mais fortes angústias

Ninguém me ensinou a lidar
Ninguém me deixou forte para isso

Nem a vida, nem ninguém... ninguém é capaz de nos ensinar a enfrentar um sentimento que, no fundo, queremos sentir

A dor, a angústia, o vazio... fazem parte do mais profundo valor que carregamos...

o respeito ao amor que sentimos.

Como lidar quando chegamos ao fim do livro do amor?
Não conseguimos suportar a ideia de que o livro vai para a estante e nada mais de novo haverá para ler.

Amor não é concreto, não é palpável, não é limitado, não é um livro... mas mesmo assim seguimos a imagina-lo na estante.

O sofrimento vem logo em seguida
Só que agora faz parte do novo amor
O amor que segue para continuar a história.

Um novo amor que doi

Uma amor que tornar-se tão parte do nosso ser que vida se torna!

E

a partir dai

percebemos que a vida não se foi por completo. A vida segue por meio da gente.

Juan Hatzfeld dos Santos +55 (51) 920013582 juan@vegan12.com