Corona Day
Não é incomum na arte a "fantasia" de dias que se repetem mais de uma vez. Nesses dias tudo é visto de uma forma diferente a partir das primeiras repetições, o que costuma levar o personagem que vive o ciclo a repensar tudo que acontece em sua volta. Falas de transeuntes que se repetem, sons e barulhos que acontecem no mesmo horário, noticiário que tornam-se mais do que previsíveis... Sem falar de todo o resto que circunda nosso dia a dia e nos faz confirmar intuitivamente que o dia segue o mesmo.
Porém, pensando, percebo que talvez estejamos vivendo um dia tal como o do filme "Feitiço do Tempo", muito reprisado na sessão da tarde global.
A rotina café, jornal, transporte, trabalho,... é quase imutável para a maior parte das pessoas. O mesmo café, o mesmo ônibus, o mesmo trabalho! Da para dizer que vivemos o mesmo dia diariamente e não percebemos. Ou quase isso.
O que nos faz não viver exatamente o mesmo dia são as pessoas. Pessoas que, com seus humores e sentimentos mudados, nos fazem viver dias imprevisíveis!
O grande problema é quando a vida nos priva de conviver com esse fator necessário e suficiente para dar a cinética do nosso dia a dia. Tal quando surge uma repentina pandemia que nos exige ficar em casa.
A vita dos que ficam em casa para protegerem-se do COVID-19, um quarentenado contemporâneo, sofre mitigação do convívio social, mas permitindo o contato com as redes sociais e a televisão, tecnologias que outros períodos de quarentenas não contavam. Só que é nesses meios que a mesmice dos dias se acentua! O noticiário diário repetindo que o Corona virus avança e faz mais vitimas (de certo para ninguém dizer que não sabia). As redes sociais seguem rotineiramente debatendo Covid, Big Brother e as repetitivas peraltices do presidente da república. Aliás, o BBB e as peraltices do presidente são uma das poucas coisas que seguem sendo gravadas normalmente.
Para quem viu o filme Feitiço do Tempo, fica fácil a analogia: estamos a viver o dia do COVID-19 repetidamente até que aprendamos como sair dele. Só que a maior diferença da vida e do filme é que morrer não é sinônimo de começar de novo. Por isso se reinvente dentro de casa!
Juan Hatzfeld dos Santos +55 (51) 920013582 juan@vegan12.com
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